A força do agronegócio

O que eles diziam…

De volta com mais um artigo da série “O QUE ELES DIZIAM…”, agora analisando o agronegócio. Vamos conferir? Boa leitura!

EXAME – edição 753 – 1ª quinzena novembro/2001

A capa da revista Exame, de novembro de 2001, trouxe a grandeza brasileira no agronegócio. O Brasil vivia um momento de grande destaque nas exportações de carnes em geral, além de ter despertado interesse de muitas companhias internacionais para aquisições e abertura de empresas do Agronegócio no Brasil.

O setor de exportações de carnes cresceu, em média, mais de 23% ao ano desde 1995, subindo de U$ 84 milhões para U$ 300 milhões, no caso de exportações de carne suína. Essa média se repetiu para as exportações de ovinos e bovinos.

Outro fator de relevância foi a produtividade da safra de grãos versus a quantidade de terra plantada. Passamos de 57 milhões de toneladas produzidas em 91, em 37,8 milhões de hectares plantados, para 100 milhões de toneladas em 38,3 milhões de hectares plantados. Um aumento de 75% de produtividade em 12 anos, praticamente na mesma extensão de terra.

Na época, o grande desafio era vender ao mundo uma carne de qualidade superior, enfrentando o desafio de ainda não participar das importações de carne dos mercados asiático e europeu.

Outro destaque que vale comentar foi o projeto da Doux, uma indústria francesa, que adquiriu a Frangosul, em 1998. O plano era tornar o Brasil uma plataforma de exportação, visto que seus negócios na Europa, mesmo sendo uma das maiores produtoras do mundo, não ia tão bem.

Assim, o Brasil ganhava visibilidade como um grande produtor e exportador, para o mundo, de produtos advindos do agronegócio.

O que dizem hoje…

VOCÊ S/A – Edição 163 – 1ª quinzena novembro/2011

Enquanto há 10 anos se falava em evolução do setor de agronegócios, hoje questionamos: O que fazer para continuar crescendo, mesmo com o apagão de mão-de-obra qualificada?

Pois é. Numa reportagem de 17 páginas, a revista Exame trata do apagão de mão-de- obra especializada, e o que 355 grandes empresas estão fazendo para driblar a falta de colaboradores no mercado.

Em uma década foram gerados 19 milhões de empregos formais para suprir o crescimento produtivo e econômico que tivemos. Hoje, falando especificamente sobre o agronegócio, o Brasil vive uma verdadeira revolução. Frente a esse desafio, as empresas estão buscando mecanizar e automatizar ao máximo seus processos, mudando a “cara” das indústrias do campo, do trabalho braçal para trabalho capacitado, devido à tecnologia embarcada nas colheitadeiras e em outros processos que demanda grande número de pessoas.

Se há 10 anos falávamos de um Brasil exportador, comprometido em conquistar novos mercados, hoje falamos de um Brasil líder de exportação de carnes em todo o mundo, no mesmo nível EUA.

Mas, o que fazer para sustentar o crescimento com mão-de-obra qualificada? AS empresas estão adotando sete ações para driblar o problema:

  1. Mudar a forma de produzir – Através de automações e pré-montagens.
  2. Abrir a torneira dos talentos e fechar o ralo – O que significa tentar manter um sistema de substituição de talentos, ou seja, para cada colaborador tentar 3 substituições prontas, caso ocorra uma perda importante para o plantel de profissionais;
  3. Pagar pela Fidelidade – Investir no funcionário de forma que ele se sinta valorizado e valorize o investimento realizado;
  4. Incluir as mulheres – Com o modo de produção reinventado, as empresas devem flexibilizar postos de trabalho que outrora eram ocupados só por homens, para que as mulheres também possam ocupar esses cargos;
  5. Conquistar os Jovens – A nova geração precisa ser conquistada para poder render e vestir a camisa da empresa, pois atualmente o perfil dos jovens está mais para empreendedores;
  6. Dar uma segunda chance – Relevar falhas e não enrijecer demais os requisitos de contratação;
  7. Deslocar pessoal entre as regiões – Trazer de volta, para as origens, várias pessoas que no passado tentaram suas carreiras nas regiões sul e sudeste. Hoje, o que vemos é uma evolução superior nas regiões norte e nordeste.

E assim, a revista Exame apresentou dicas para as empresas tentarem segurar seus talentos, driblando o apagão de mão-de-obra qualificada.

Ponto de vista…

Como se comporta hoje o agronegócio? Como vimos, esse é um dos setores que mais investe em tecnologia, dada a dificuldade de encontrar pessoas que queiram trabalhar com atividades relacionadas ao campo.

Muitas empresas do setor ainda estão bem economicamente. A explosão de 10 anos atrás foi realmente um fato marcante, mas, como anda a Doux, a francesa proprietária da Frangosul? Pois é. Está vivendo um de seus piores momentos. Está cerca de 40 dias atrasada com o pagamento de seus fornecedores. Uma das soluções comentadas atualmente é a sua venda para a BRF – Brasil Foods.

Real valorizado, exportação em declínio, principalmente para algumas empresas que perderam suas posições de mercado, como a Doux… Mais uma vez nos deparamos com o tema fusão versus aquisição, já comentado em nossa coluna.

E você, do agronegócio, o que anda fazendo para se atualizar e se capacitar?
Deixe aqui seu comentário!

Abraços e até mais!

Fabio Fachini
E-mail: fabio.fachini@educavirtual.com.br
Site: www.educavirtual.com.br

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