Faltam trabalhadores e sobram vagas no atual mercado de trabalho

O Brasil vive um momento inusitado na história de seu mercado de trabalho. Nos anos recentes, profissionais, empresas e o próprio governo vêem passando dificuldades que não eram tão evidentes em décadas passadas. Por um lado, pequenas, médias e grandes organizações disponibilizam vagas de empregos com bons salários e excelentes benefícios. Porvoutro, a falta de mão de obra qualificada impossibilita o preenchimento dessas vagas, inviabilizando assim uma série de projetos econômicos e consequentemente o próprio crescimento do país. O número de desempregados sem qualificação é considerável e merece uma atenção diferenciada por partes de especialistas, empresários e governantes.
Uma recente pesquisa elaborada pela Fundação Dom Cabral, revelou a gravidade do  assunto e o grau de dificuldade das empresas em contratar novos funcionários. Das cento e
trinta empresas pesquisadas, 92% encontram problemas na contratação de funcionários,  sendo que 81% delas alegam que o maior desafio está justamente na escassez de profissionais capacitados. Segundo a pesquisa, 42% apontam a má formação no ensino básico que é um dos grandes problemas deste fenômeno atual. Vale à pena lembrar, que, o grau de exigência de qualificação no mercado, não é apenas um capricho por parte das empresas, mas justifica-se por alguns fatores não tão difíceis de serem entendidos.
A era da globalização trouxe mudanças significativas para a economia mundial. O  mundo mudou, os países muraram o Brasil mudou e as empresas tiveram que se adequar a tudo isso. As questões trabalhistas foram afetadas em razão desta nova realidade. As  indústrias, por exemplo, com a necessidade de uma maior eficiência e eficácia nos seus resultados, migraram para um sistema de produção mais customizado, enxugando assim o  número de tarefas comuns e substituindo-as por máquinas eletrônicas comandadas por softwares de ultima geração, proporcionando um aumento vertiginoso na qualidade,  produtividade e na redução significativa de seus custos.
No campo, as máquinas colheitadeiras modernas ocupam operações agrícolas,  reduzindo em muito a necessidade de tarefas comuns e manuais, sinalizando que a  necessidade maior passou a ser pela busca de profissionais mais técnicos, com uma boa  formação e preparados, para assumirem as operações de manejo e manutenção das novas máquinas. Até mesmo nos supermercados, onde, por exemplo, os operadores de caixa, passaram a ter a necessidade do domínio da informática com uma habilidade maior na digitação e controles numéricos. O setor da construção civil não fica para trás! Os profissionais habilitados e experientes são absurdamente disputados palas construtoras.

De fato, trata-se de um problema que se estende a todos os setores da economia moderna e que leva profissionais, empresários e especialistas, buscarem ações que minimizem esta questão. No resumo da ópera, entendemos que, fatores como inovação, criatividade e atendimento das necessidades criadas pelos clientes, passaram a ser as principais vantagens competitivas no mercado, e isso só se consegue com profissionais muito bem preparados.
Na busca de um ponto de equilíbrio para essa situação, algumas empresas decidiram  investir nos programas de treinamentos e formação dos seus próprios talentos. Governos municipal, estadual e federal, criam programas de capacitação profissional e financiam bolsas de estudo, a fim de beneficiar trabalhadores menos favorecidos. Todas essas ações são importantes e necessárias, contudo, não se deve escapar o fato de que a raiz de todo o problema pode estar diretamente ligada na má qualidade do ensino fundamental e pela ineficiência de um programa de educação continuada oferecido oferecida hoje no país.
Quanto a nós trabalhadores, cabe a consciência de um novo lema! A reciclagem, o aprendizado e qualificação são ações essenciais e eternas, e a sua ausência impossibilitará qualquer chance de permanência no mercado de trabalho.

Autor: Rinaldi da Silva Corrêa
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